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No Bridge, quem são os melhores do Mundo?
04-Sep-2007
“Quem é o melhor jogador do Mundo?”, perguntou um dos mais recentes apaixonados pelo bridge durante um jantar onde estavam presentes jogadores de vários níveis, com percursos e experiências muito diferentes. Em face de alguma demora na resposta logo outro sugeriu “Se o bridge é um jogo de parceria, faz sentido falar de melhor jogador do mundo ou fará mais sentido falar de melhor par ou melhor equipa do Mundo?”. Ambas as perguntas revelam uma ambivalência característica de qualquer aspirante a ser um bom jogador de bridge. Por um lado a importância de dominar bem alguns aspectos técnicos de leilão e carteio, por outro a necessidade de transformar essa mais valia técnica num bom resultado do par. De que serve, por exemplo, fazer uma jogada brilhante se o parceiro não a perceber e induzido em erro pelo nosso “brilhantismo” acaba por fazer pior que se tivéssemos jogado normal?

 

O bridge é um jogo de parceria e é nos domínios do leilão e da defesa que a parceria é soberana! Nestas duas áreas fundamentais do jogo, raramente alguém pode, só com 13 cartas, reclamar como seu o sucesso do par. Haverá com certeza algumas ocasiões para o brilhantismo individual (um dobro mais ousado, um carteio baseado num “squeeze” espectacular), mas, num bom par, é considerando o conjunto das “nossas” 26 cartas, 13 vistas e 13 imaginadas) que mais vezes se conseguirá chegar a bom porto.

 

É por isso que precisamos da linguagem do bridge, dos sistemas e métodos de sinalização e, mais importante, de parceiros que os joguem. Sistemas e métodos afinados são indispensáveis para quem, nos dias que correm, quer obter sucesso neste jogo, regular e consistentemente. No entanto, podem ser tão completos e complexos que para os dominar é preciso prática regular e muito trabalho de parceria. Esta necessidade de estudo e trabalho é por vezes apontada como um dos principais obstáculos à aprendizagem do bridge. Mas esta necessidade de estudo e de trabalho é comum a todos aqueles que querem ter sucesso, quando falamos de desporto, relação dos estudantes com o ensino ou de uma qualquer actividade profissional.

 

No caso concreto da tarefa de forjar uma parceria a partir de dois jogadores este trabalho e o tempo dispendido deve ser até bastante fácil de suportar. Tal como noutras relações humanas, é preciso tempo e convivência para desenvolver a confiança mútua, o espírito de apoio, a partilha de objectivos comuns que acabam por tornar a vitória mais provável e a vida mais agradável! Dois alegres e descontraídos optimistas mais interessados em identificar e corrigir os próprios erros do que em descobrir e apontar os do parceiro consegui-lo-ão rapidamente. Infelizmente o “stock” destes é muito reduzido. Para o restante de nós, comuns mortais, leva tempo…

 

O processo pode ser mais rápido ou mais lento mas inicia-se sempre com a mesma pergunta: “Então, o que jogamos?”. A mesma pergunta aparecerá novamente mais tarde, mesmo entre aqueles que mantém parcerias de grande longevidade, pois faz parte da natureza humana não nos conformarmos e querermos sempre saber mais e desenvolver os nossos métodos e sistemas para poder melhorar ainda mais um pouco. Nem que seja saber mais sobre os métodos dos adversários para mais facilmente os poder contrariar. Qualquer jogador que diga que não tem mais nada a aprender, esqueceu-se de aprender a humildade. Normalmente chegou a um patamar na sua evolução de onde dificilmente sairá (a não ser para pior) de onde verá outros a ultrapassá-lo, já que esta atitude revela falta de ambição e acabará por degradar qualquer parceria e consequentemente os seus resultados.

 

Forjar uma boa parceria acaba por implicar quase sempre forjar uma boa amizade. A cumplicidade necessária para fazer um bom jogo transpira também para fora da mesa e cimenta afinidades. Como alguém disse a propósito de outras viagens, não é o destino que é o mais importante, é o caminho que percorremos para lá chegar e, principalmente, como o percorremos...

 

Respondendo às perguntas iniciais, mais importante do que saber quem é o melhor é saber o que fazer para consegui ser o melhor. Para se ser o Melhor Jogador do Mundo é preciso ser aquele que independentemente dos bons resultados que obtém continua a conseguir motivar o parceiro na procura de ainda melhores resultados e o Melhor Par do Mundo será constituído por dois bons amigos e que conseguindo bons ou maus resultados, conseguem sempre voltar a motivar-se divertindo-se pelo caminho.

 

Se é daqueles para quem o Melhor Jogador do Mundo é aquele que está sentado à sua frente em qualquer momento, está no bom caminho para o vir a ser…