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O Calendário Desportivo PDF Imprimir
28-May-2007
O conceito de calendário desportivo surgiu quase ao mesmo tempo que a competição desportiva, por razões óbvias. Do ponto de vista dos atletas ou dos clubes, tem que se programar os encontros contra os diversos adversários, preparar os embates, treinar o físico e, cada vez mais, a psique. É preciso saber dosear o esforço, garantir altos níveis de atenção, estudar os adversários e os métodos que usam. Do ponto de vista dos organizadores, é fundamental garantir que a competição é justa, que as condições iniciais em cada encontro sejam tão semelhantes quanto seja possível.

 

Por razões históricas que têm que ver com a prática do desporto ao ar livre e em recintos abertos, o factor meteorológico tem sido um dos que tem merecido mais atenção na garantia dessa justiça, na igualdade de condições iniciais. A probabilidade de chuva ou sol, frio ou calor, deve ser estatisticamente semelhante. Evitar condições extremas de frio ou calor é uma das principais preocupações dos organizadores dos diversos campeonatos, nas mais variadas modalidades. 

O factor meteorológico tem sido determinante para todos os desportos. As épocas temperadas em ambos os hemisférios são, sistematicamente, mais preenchidas em termos de calendário. Na marcação de fases finais da maior parte das competições mais importantes é especialmente crucial que a influência de condições climatéricas seja muito reduzida. Esta é uma das razões para que sejam quase sempre organizadas no fim da Primavera ou no início do Verão. 

É também por esta razão que a maior parte dos atletas de qualquer modalidade se esforça para estar no seu pico de forma nesta altura do ano. Quem quer ser o melhor na sua disciplina tem que estar na melhor forma nos campeonatos mais importantes. 

Mas este não será certamente o único factor… Um outro factor de extrema importância é o factor comercial. Nos dias que correm, nenhuma modalidade desportiva consegue sobreviver sem receitas próprias. Se essas receitas provêm do público ou dos próprios praticantes, é importante garantir que estes agentes desportivos se sintam bem, de preferência que se sintam em férias, já que a predisposição para gastar em férias, como já várias vezes foi provado, aumenta… 

O uso de pavilhões desportivos veio distorcer um pouco esta realidade. As mesmas condições são iguais para todos, independentemente do tempo que faz na rua. A maior parte das modalidades ditas “indoor” deixaram de estar presas à meteorologia e à climatologia… 

Assim sendo, fará sentido que as modalidades tradicionalmente “indoor” continuem a reger-se pelas mesmas exigências primaveris que as outras? Fará algum sentido que os desportos mentais como o Bridge, o Xadrez ou as Damas continuem a seguir o modelo tradicional das fases finais mais perto do início do Verão? A resposta será uma vez mais dependente de cada um dos inquiridos. Os mais tradicionalistas dirão que sim, que não há razão nenhuma para mudar o que tem funcionado. Aqueles com mais visão dirão que há um nicho de mercado que se abre… Ao canalizar as fases finais para alturas turisticamente mais fracas, conseguem-se certamente melhores condições nas unidades hoteleiras e maior divulgação na imprensa de cariz desportivo, já que há menor concorrência das modalidades de exterior como o futebol. 

A Lei de Bases do Desporto obrigou todos os Clubes, Associações e Federações a organizarem-se financeiramente em função do ano civil em vez de época desportiva. O próprio “modus operandi” dos organismos estatais a funcionar em ciclos olímpicos cujo início e término se referem ao ano civil, apontam nesse sentido.  

E se fizéssemos coincidir a época desportiva com o ano civil? As contas ficam obviamente simplificadas, sem ter uma época em dois anos civis ou um ano civil referindo duas épocas desportivas… As modalidades mais pequenas, em termos de número de praticantes podem e devem ser pioneiras já que é onde é mais fácil começar e podem servir de exemplo para outras… As menos conhecidas só têm a ganhar com esta proposta pelas razões publicitárias apresentadas e até pela visibilidade dos seus eventuais “sponsors”… 

Comecemos no Bridge esta revolução. Faça-se coincidir a época desportiva com o ano civil! 

Caso não seja possível talvez não seja má ideia começarmos a pensar em mudar as datas do início e do fim do Ano Civil… Até pode pegar a moda, quem sabe…